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Tal como aconteceu no fim de janeiro, Jair Bolsonaro diz que não viu "Ainda Estou Aqui".
O filme nomeado para três Óscares é um grande sucesso de bilheteira no Brasil, com mais de 5 milhões de espectadores.
“O filme tinha que começar comigo”, ironizou o ex-presidente do Brasil quando o jornalista Leo Dias quis saber se já tinha visto.
"Família Paiva, você tem que falar em Eldorado Paulista, a minha cidade", justificou.
Sem responder diretamente, o político brasileiro continuou a fazer um paralelo com a sua própria história e teorias sobre a família Paiva: Bolsonaro tem uma trajetória política marcada pela defesa da ditadura militar (1964-1985) e o filme realizado por Walter Salles remete para esse período, recuperando a história do político Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto, e da mulher, a ativista Eunice Paiva, sendo os papéis interpretados por Selton Mello e Fernanda Torres.
A história baseia-se no livro homónimo, de memórias, do escritor Marcelo Rubens Paiva, filho de ambos, relatando não só a repressão e os atos de tortura sofridos pelo pai – cujo corpo nunca foi encontrado – como também a capacidade de superação e resistência da mãe até ao final da vida.
Perante a insistência do jornalista, Bolsonaro foi claro: "Não, não tenho mais tempo de ver filme. Até ler um livro é quase impossível para mim. Dada a quantidade de informações...".
Bolsonaro mostrou-se bem informado sobre a origem financeira de "Ainda Estou Aqui", que teve entre os parceiros a plataforma Globoplay, mas quando foi questionado se ia torcer pela vitória nos Óscares, desconversou antes de criticar a narrativa, a sua 'mensagem política' e Fernanda Torres.
"O brasileiro ganha em qualquer lugar. Agora, a mensagem ali é política. Ela falou, por exemplo, que no meu governo não seria possível fazer aquele filme. Não seria possível por quê? Eu proibi alguém de fazer alguma coisa? Eu cacei a concessão [licença] de alguém? Demos uma arrumada na Lei Rouanet [que estimula e fomenta a produção, preservação e difusão cultural] – se bem que esse filme não usou o recurso. Não sei porque ela fala isso aí. Ela fala isso aí para me atingir. Não perseguimos ninguém. Eu não persegui ninguém. Não movi um um processo contra ninguém na cúpula do PT”, disse.
A entrevista está completa no YouTube, com o momento sobre "Ainda Estou Aqui" a surgir a partir das duas horas e seis minutos.
A 97.ª edição dos Óscares está marcada para 2 de março, em Los Angeles, Califórnia, com apresentação de Conan O’Brien. Começa quando for meia-noite de segunda-feira em Lisboa e a transmissão será na RTP1 com Mário Augusto e, pela primeira vez vez, na plataforma Disney+.
Com 13 nomeações, "Emília Pérez" lidera a corrida, seguido por "O Brutalista" e "Wicked" com dez, "Conclave" e "A Complete Unknown" com oito, "Anora" com seis, "Dune - Duna: Parte 2" e "A Substância" com 5.
O SAPO preparou uma cobertura especial com uma série de conteúdos de antevisão e com acompanhamento ao minuto pela noite dentro, atualização de todos os vencedores e análise dos principais acontecimentos, da passadeira vermelha até à cerimónia.
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